É com enorme orgulho que revelo a minha integração na brigada do reumático. Atingi os mínimos para a participação nas actividades seniores: boa disposição e uma artrose pós-traumática. Não está ao alcance de todos. Aos 25 anos, atingir este patamar, orgulha-me profundamente. Consigo estabelecer, em dias de nevoeiro, o início da tertúlia cor-de-rosa através das indicações dolorosas que o meu tornozelo transmite ao meu esforçado cérebro. Só está ao alcance dos predestinados. Além do mais sempre tive o sonho de fazer parelha com o Zé Formiga no jogo da malha. Roam-se de inveja.
Já não basta acordar cedo para trabalhar - que, note-se, é um trabalho insultuoso à própria inteligência dos roedores - e cuja remuneração é motivo de regozijo somente nas Filipinas. Não. A minha sina é mais madrasta. Nos transportes públicos existe um fenómeno extraordinário com a minha pessoa. Há alminhas do sexo feminino que insistem em abraçar-me o céu da boca com os seus próprios narizes, tal é a proximidade. Esta parte seria suportável caso não apresentassem traços fisionómicos da Vanessa Fernandes e a sanidade mental da Amy Winehouse. Não é tudo. O pior, mesmo, é a fragrância matinal - um almíscar de Coco Chanel com um forte toque de nicotina - que estas emanam de maneira pornográfica. É nestas alturas que não me importava de andar munido de gasolina e um fósforo. Melhor. Muitos fósforos.
... e eu hoje passei a acreditar. O Atlético de Madrid - equipa do genro de El Dios - saiu com um linsonjeiro empate após o apito final da partida de hoje, contra o F.C Porto. Como? Ajuda divina e alguma aselhice nossa.
Não sou muito amigo de aglutinações populacionais. Não sei se me assustam, mas roubam-me o sossego. Ciúmes de mim próprio. Belo exercício egoísta. Óbvio que abro excepções. Mas não no dia de hoje. São os primeiros segundos do ano novo, exponencialmente transformados em dias. Isso aflige-me.
Nada que um passeio de BTT ao som destes senhores não resolva.
Assisti à actuação deles no Rock in Rio em 2004, mas só me rendi, definitivamente, com o último álbum: Only by The Night.
Faltam uns meses, mas eu sou um tipo precavido. A partir de hoje, uma vez por mês, vou fazer uma lista de presentes que eu gostaria de receber no aniversário. É uma espécie de bolhetim informativo para que as escolhas não corram mal. Então, cá vão os dois primeiros desejos:
- Bilhete para assistir, no dia 11 de Julho - Optimus Alive - ao concerto da Dave Matthews Band.